Com carteira FAA eu posso trabalhar nos EUA?

Reportado por Renato Cobel na frequência Artigos, Enderson Rafael

Carteira FAA Posso trabalhar Canal Piloto Com carteira FAA eu posso trabalhar nos EUA? Como tudo que é privilégio de poucos, criou-se com o tempo uma aura de mistério em torno da formação aeronáutica nos Estados Unidos. Mesmo com a quantidade de alunos brasileiros por lá aumentando nos últimos anos, é provável que o número de PCs brasileiros que sejam FAA não passe de algumas centenas. Mas à medida que o ensino americano vai sendo desestigmatizado, esse número tem razões para aumentar consideravelmente, uma vez que a formação na FAA traz bons diferenciais no curto prazo e muitos ao longo da carreira de um piloto. Porém, enquanto isso não acontece, ainda há muitas lendas que precisam ser esclarecidas. Mesmo antes de representar uma escola americana no Brasil, eu já escutava algumas perguntas curiosas e afirmações tão consistentes quanto um pudim cru, e embora eu não saiba tudo e nem vá lembrar de todas, vou tentar reunir algumas aqui que certamente ajudarão quem considera a ideia de voar por terras e céus do Tio Sam.

Hoje o Cobel faz aniversário

Reportado por Alexandre Sales na frequência Variedades

Renato Cobel Canal Piloto Hoje o Cobel faz aniversário

Então senhores, hoje é aniversário daquele que a maioria conhece mais pela voz do que pela imagem: Renato Cobel

Dentre os vários projetos dos quais o Cobel faz parte no Canal Piloto, sem duvidas sua maior relevância é no CP Cast, não apenas pela participação constante e edição que ele faz atualmente, mas também por tornar viável essa que é uma de nossas principais atrações hoje em dia.

Para os que não sabem, o CP Cast começou no Youtube no começo de 2011, e após apenas 4 episódios, entrou em “pausa indefinida” no fim do mesmo ano, justamente pela dificuldade em produzir tal material de modo solo. (por isso esses primeiros episódios tem um formato tão diferente)

Um ano depois, no final de 2012, resolvi retornar com o projeto do CP Cast, e publiquei finalmente o episódio 5, ainda de modo solo. Estando no ar essa iniciativa do retorno, lancei em nosso site um post solicitando por ouvintes que estivessem interessados em participar da produção, eis que dentre eles recebi o e-mail de “um tal de Cobel”:

Oscar Lima Alfa Sales,

Me interessei bastante pelo seu projeto do CP Cast. Eu acompanho o Canal Piloto há algum tempo e tenho admirado bastante o trabalho e esmero que vocês tem com o site, isso com certeza garante que o público volte sempre pra consumir o conteúdo.

Caso você se interesse por minha ajuda, já usei bastante o Vegas e alguns softwares de edição de aúdio na época em que tentava produzir algumas demos da minha antiga banda.

Sou consumidor assíduo de podcast há pelo menos quatro anos e acompanhado a evolução e aderência dessa mídia e tenho muita vontade de me dedicar e entrar nesse meio.

Tenho projeto de me tornar piloto em um futuro que não seja muito distante, sou de São Vicente e estou a sua disposição.

Att, Renato Cobel

O mais interessante que notei em futuras conversas, foi que o Cobel tinha um tempo livre tão restrito quanto o meu, o que me preocupou inicialmente, e por este motivo demos continuidade com o CP Cast 6 ainda sem ter certeza de como seria o futuro do projeto. Mas para alegria de todos e felicidade geral da nação, o Cobel possui o princípio do “Se não temos tempo, conseguiremos tempo”, e por isso, desde então, acabamos virando madrugadas em claro sempre que necessário, para que os episódios continuem indo ao ar até hoje, dezenas e dezenas de edições depois.

Hoje o CP Cast é feito a três mãos (ou seria seis?), juntamente com nosso amigo Luiz Ribeirinho, mas independente do auxílio dele e meu, agora vocês já sabem quem é o real responsável pelo retorno do projeto que ficou um ano parado, e que provavelmente voltaria a ser pausado se não fosse o empenho deste.

Então Cobel, parabéns, por tudo!

Abs

Sales

CMA – Sinostose Congênita reprova no CMA?

Reportado por Tatiana Trigo na frequência CMA

Duvidas CMA Canal Piloto CMA   Sinostose Congênita reprova no CMA?

Seguindo com nossa série sobre dúvidas quanto ao CMA – Certificado Médico Aeronáutico, vamos responder à pergunta de hoje:

Dúvida

Olá Dra. Tatiana Trigo!

Eu tenho uma dúvida que está me matando por dentro, porque é o meu sonho ser piloto comercial e parece que pode não ser possível! Por favor, me ajudem a esclarecer essa dúvida! Eu tenho sinostose congenita nos meus dois braços. O que é isso? É impossível para mim, virar a minha mão (supinação), devido ao osso, só isso. Ninguém nota que não posso virar a mão porque realmente é algo que não se nota. Eu com 6 ano de idade operei o meu braço direito e sou capaz de virar a mão direita até a metade (como na foto que eu anexo para vocês). O braço esquerdo eu não operei e ele não consegue virar nem para cima, nem metade, apenas fica como na foto que mostrei em Pronação. Não sei se isso seria um problema para os exames médicos devido ao modo de segurar o manche ser um problema.

Vocês acham que não precise operar e que na hora do atestado médico de aptidão física, eu passe? Ou preciso operar a esquerda também? E se operar, apenas vou conseguir virar a mão até a metade como a minha mão direita. Acho que não preciso virar a minha mão para cima (supinação) para ser piloto, apenas metade já está boa, né?

Por favor, me ajudem, pois estou muito triste em saber que talvez eu nunca possa vir a ser um piloto de linha aérea por algo que eu conseguiria fazer, mas que o meu atestado diga que não sou apto!

Obrigado desde já!

Nossa resposta

A Sinostose Congênita é uma condição rara em que teremos uma conexão anormal (sinostose) do rádio e da ulna (ossos do antebraço) no nascimento. É bilateral em aproximadamente 60% dos casos. Em alguns casos, ocorre por herança autossômica dominante, mas também poderá ocorrer de forma isolada, sem história familiar prévia. Pode estar associada a algumas anomalias genéticas. No quadro clínico, teremos a limitação do movimento de rotação do braço, e dor geralmente após a adolescência. O tratamento poderá ser conservador ou cirúrgico, dependendo da gravidade da limitação de movimentos.

Conforme os requisitos ósteo-articulares da RBAC67, o candidato não poderá apresentar qualquer anomalia dos ossos, articulações, músculos, tendões ou estruturas conexas que, a critério do examinador ou da ANAC, sejam susceptíveis de causar alguma deficiência funcional que possa afetar a segurança de voo.  Não poderá apresentar doença ativa dos ossos, articulações, músculos e tendões, e sequelas funcionais de doenças congênitas ou adquiridas. Conforme a ICA 160-6, poderão ser consideradas causa de incapacidade em exames na aeronáutica anomalias de número, forma, proporção ou movimentos das extremidades; doenças ósseas e articulares, congênitas ou adquiridas. No exame de saúde para o CMA, será avaliado se a limitação apresentada poderá comprometer, de alguma forma, a segurança de voo. Caso o examinador verifique que o tratamento cirúrgico possibilite ser piloto, orientará para o tratamento, e posteriormente retorno para obtenção do CMA.

Atenciosamente,

Dra. Tatiana Trigo

Médica Aeroespacial

O leitor de hoje enviou sua dúvida através do nosso e-mail. Você pode fazer o mesmo, caso não encontre a resposta nas perguntas já respondidas.

Dúvida – Como posso obter a carteira TIPO?

Reportado por Rodrigo Satoshi na frequência Duvidas

Pergunte Canal Piloto Duvidas Formacao Aeronautica Canal Piloto Dúvida   Como posso obter a carteira TIPO?

Seguindo com nossa série sobre dúvidas quanto à formação aeronáutica, vamos responder à pergunta de hoje:

Dúvida

O.L.A,

O Canal Piloto tem sido uma grande ajuda em minha preparação para me tornar piloto. Uma coisa que reparei é que as companhias aéreas exigem o “Tipo” na CHT que o futuro comandante tem. Eu entendi mais ou menos pelo que já li até agora o seguinte, exemplo:

1- Eu me formei PC/MLTE/IFR, INVA, ICAO 4, Jet Treiner. Tudo por minha conta estudei paguei, consegui horas de voo, ai eu envio meu currículo pra um milhão de empresas de Linha aérea, sou chamado para participar das seleções, consigo passar, sou contratado e vou ser treinado. Aquela empresa vai me dar o treinamento pra que eu pilote o tipo de avião que ela possui,  ATR, B737, A320, B777, etc… ai eu vou ter uma carteira TIPO, mas porque a empresa me “deu”.

Minha pergunta é…

Tem como eu conseguir a carteira TIPO por conta própria ou somente as companhias podem te dar esse treinamento? E se eu puder como é feito esse tipo de aprendizagem? Como é feito o Check, quero dizer, é tudo por simulador ou eu tenho que pagar a hora de voo de um Airbus pra fazer meu check?

Raphael Nogueira

Nossa resposta

Rafael,

Para responder à sua pergunta, fui conversar com o piloto-chefe da Avianca Brasil. A resposta dele foi a seguinte:

“Para ter um CHT de tipo, o piloto deve receber o treinamento previsto no RBAC 61 – Subparte K ou passar pelo programa de treinamento, aprovado pela ANAC, de uma empresa 135 (táxi aéreo) ou 121 (linha aérea). Outra forma é fazer um curso num centro de treinamento regido pelo RBAC 142 (que é o caso da CAE, por exemplo).

Dependendo de qual desses caminhos o piloto segue, os requisitos variam um pouco, mas via de regra, o curso é composto de currículo de solo (ground school) e currículo de voo (simulador e/ou rota), dependendo do programa.

Para ter um CHT de tipo “RBAC 61″ (ou seja, que não serve para voar em empresa aérea, nem táxi aéreo), o piloto pode fazer o treinamento e cheque em voo (sem simulador), ou tudo em simulador, caso este seja nível D. Se for nível C, tem que ser feito um cheque complementar em voo, conforme a RBAC 61.213(a)(3)(ii).

Então, no caso citado pelo leitor, de um curso de Airbus, ele pode ir até um centro de treinamento aprovado pela ANAC e fazer o curso todo lá, incluindo o cheque. Ele vai receber um CHT daquele equipamento e, com ele, poderá voar naquele tipo de avião, mas apenas em voos regidos pelo RBHA 91. Não pode usar aquele CHT para voar segundo o RBAC 121. Para isso ser possível, ele terá que passar pelo programa de treinamento da empresa onde for trabalhar.

No Brasil, existem dois centros de treinamentos: a CAE e o Sim Industries, que atende a Gol em Diadema. O primeiro oferece cursos homologados.

O preço dos cursos varia muito, mas são caros. Do A320, por exemplo, custa pelo menos 10 mil dólares por piloto. É preciso informar-se com o centro de treinamento para saber o preço exato, pois este varia um pouco em função da época: quando a procura pelo simulador aumenta, o preço também aumenta.”

Muitas empresas estrangeiras pedem, além das carteiras, o chamado TYPE RATING do equipamento como requisito obrigatório. Ainda segundo o piloto-chefe da Avianca Brasil:

“Type Rating e carteira de tipo são a mesma coisa, então, quando você faz o treinamento, terá o type rating exigido pelas empresas. O problema é que, na maioria dos casos, além do type rating, as empresas exigem 500 horas de experiência naquele tipo de avião.”

Lembrando que o RBAC 61, na subparte sobre habilitação tipo, provavelmente irá sofrer alterações após 21/09/2014, onde será obrigatório um maior número de horas de voo, ou treinamento em simulador do avião.

Saiba mais:

Atenciosamente,

Rodrigo Satoshi

INVA – Instrutor de Voo de Avião

O leitor de hoje enviou sua dúvida através do nosso e-mail. Você pode fazer o mesmo, caso não encontre a resposta nas perguntas já respondidas.