F-35 Lightning II: O preço da ambição

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Imagina o que acontece quando os governos de nove países juntam esforços, criatividade e bilhões de dólares para produzir uma aeronave militar que substituísse o A-10 Thunderbolt II e F-16 Fighting Falcon da Força Aérea dos EUA, F/A-18 Hornet da Marinha dos EUA e Sea Harrier da Força Aérea e Marinha do Reino Unido.

Foi assim que surgiu o Programa F-35 Lightning II (também conhecido como caça de ataque conjunto – Joint Strike Fighter), o ponto focal do Departamento de Defesa para definir sistemas de armas acessíveis para aeronaves de ataque de próxima geração para a Marinha, Força Aérea, Fuzileiros Navais e aliados.


Uma grande aposta

F-

A máquina de guerra de quinta geração que ficou famosa antes mesmo de entrar em ação, prometia um desafio gigantesco: Além de substituir aviões específicos de ataque aproximado, ser uma alternativa mais econômica, fácil de fabricar e manter. Usando a tecnologia do F-22 Raptor, combinaria furtividade com velocidade e agilidade, sistemas avançados de missão e completa fusão de dados de sensores e operações de guerra em rede.

Como nem tudo são flores, ao longo de todos esses anos de desenvolvimento do programa JSF, com seus inúmeros problemas e aumentos contínuos de custos, o programa se transformou em um verdadeiro fracasso bilionário. A velha indústria que gastava bilhões, mas fazia verdadeiros milagres operacionais, já não é mais a mesma. Mesmo depois de dez anos de projeto e cinco anos de produção, a Lockheed Martin, responsável pela fabricação, apresenta uma aeronave totalmente instável, com problemas que vão desde o assento ejetável, onde pilotos com menos de 60 kg são impedidos de voar, problemas no trem de pouso e até linhas de refrigeração com anomalias. Em inúmeros testes, os pilotos afirmam que ele é lento, e devido a isso tem deficiência em manobrabilidade, deixando-o incapaz de vencer caças como o F-16 Fighting Falcon em um combate simulado.


Encarando as consequências

Muitos dizem que o projeto está pagando “o preço do pioneirismo”, mas na verdade o caça está pagando o preço da ambição. O chefe do programa F-35 afirma que fabricar e testar o caça foi um “erro de cálculo” e que deve ser, por hora, reduzida, visto que o Pentágono diminuiu suas encomendas duas vezes, e recentemente o presidente recém-eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou os custos do programa como “fora de controle”.

Apesar do governo dos EUA e a equipe industrial continuarem discutindo os custos para lotes futuros de produção, o F-35 ainda é o caça mais caro produzido na atualidade. Seu custo unitário pode chegar até U$ 160 milhões de dólares e o projeto de um caça de 5° Geração acessível perde cada vez mais espaço para a concorrência. Já foram gastos US$ 84 bilhões no projeto do F-35 e estima-se que este valor bata os US$ 400 bilhões até o projeto estar completo.

O fato é que, o projeto que visa substituir gradativamente o lendário F-16 e futuramente o F-18 e A-10 da defesa norte-americana e européia, está a um passo de se tornar o elefante branco da aviação militar. Muitos especialistas inclusive já o consideram como “obsoleto” mesmo antes de entrar em operação. O programa tem funcionado há quase quinze anos com quebras significativas no cronograma, não é um fracasso em todos os sentidos, mas frustrou as expectativas de sucesso iminente.

Esse é um bom exemplo do jogo de custo/benefício, onde o custo está claramente superando o benefício.


Imagem 1: via Wikimedia Commons
Imagem 2: via Wikimedia Commons
Imagem 3: Donald Trump Twitter account

Tayly Vieira

Tayly Vieira

Entusiasta de Aviação Militar e acadêmica de Engenharia Ambiental pela UTFPR. Costuma escrever seus artigos sob a sombra da Árvore de Gondor.
Tayly Vieira