Mulheres nos céus: Como as Pin-Ups ganharam as guerras?

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Assim como os vikings tinham seus navios e os guerreiros zulus tinham seus escudos, há séculos existe a tradição associada ao desejo do guerreiro de decorar seus instrumentos de guerra. A arte da guerra tradicionalmente serviu como proteção contra o mal, para receber poderes sobrenaturais dos deuses e dar uma identidade nobre a cada guerreiro. No século XX, a tradição continuou mas as coisas ficaram um pouco menos…nobres.

O veículo moderno de guerra passou a ser o avião e assim surgiu a Nose Art, gênero de arte usado para decorar aeronaves de combate. Assim, os homens usavam o avião como instrumento de guerra e o decoravam com uma arte única, que incluía algo que remetia à sua privação sexual, grito de batalha provocando o inimigo, boa sorte e etc. A Nose Art tornou a aeronaves mais fáceis de identificar, proporcionando personalidade ao avião.


Pin-Up dominou a Nose Art

Hoje embelezando desde espetáculos a estúdios de tattoo, a arte pin-up feminina dominou a Nose Art durante a Segunda Guerra Mundial, com sua Era de Ouro durante a Guerra da Coréia. O termo surgiu nos anos 40 e 50, para designar mulheres com forte atrativo sexual, usadas especificamente em cartazes, cartões postais e calendários, que foram muito utilizados por soldados na Segunda Guerra Mundial. Esses deixavam os calendários pendurados, por isso, o termo pin-up de “pôster” em inglês.

Usada pelos oficiais da Força Aérea, a nose art assumiu muitas formas, tais como personagens de desenho animado, graffiti, e claro, pin-up feminino, que estimulavam a moral dos soldados que lutavam em guerras estressantes com altas probabilidades de morte.

O pin-up feminino foi representado em vários estágios de vestir e se despir, prestes ao máximo do limite da decência. Algumas artes mostravam uma extrema falta de restrição, outras assumiram outras formas, mas todas eram seu grito de guerra. Quanto mais imaginativo, provocativo e até ofensivo, mais ela refletia a vontade do soldado de intimidar e provocar o inimigo.


Padronização até na customização

A falta de restrição ajudou a promover a imaginação dos artistas e das tripulações da época. Como resultado, a Força Aérea tentou restaurar um senso de decoro com o “Regulamento 35-22 da AAF”, em agosto de 1944. Este regulamento permitiu o Nose Art, mas tentava, sem sucesso, instituir um “bom senso de decência”. Com o tempo, foi se estabelecendo um padrão específico, passando a ser necessariamente uma mulher sensual, com ar clássico/retrô e muito feminina.

Um dos artistas mais famosos da época era Don Allen, que costumava retratar mulheres como vilãs sensacionalistas, populares entre aeronaves que tinham 2 tripulantes ou até 10, como é o caso do B-17 Flying Fortress.

Eles coletivamente concordaram em uma mulher, juntamente com um slogan. Por outro lado, em aviões de combate com um único piloto, era geralmente uma mulher específica: uma esposa, ou talvez uma namorada. Enfim, seja qual for o caso, essa conexão emocional pessoal entre o piloto e a musa era marcada na parte frontal da fuselagem, logo abaixo do vidro do cockpit.


Um passo a frente, sempre

É importante destacar que essas artes eram feitas em uma época moralista, em que mostrar as pernas ou ser fotografada nua era uma ofensa para a sociedade. Ou seja, a libertação feminina já estava dando seus primeiros passos para um movimento nos anos 60, que mais tarde seria conhecido como feminismo. As pin-ups abordavam o conceito de mulheres que misturavam o sensual com o inocente sem ser vulgar. Porém, nos anos 70, a indústria do sexo passou a ganhar força, e a estética pin-up começou a perdeu seu valor para o nu explícito, que chamou mais atenção da mídia e, consequentemente, da população.

Por fim, as meninas voadoras ajudaram a fornecer a cada aeronave uma identidade específica, uma personalidade e, com sorte, um pouco de boa sorte. Elas tornaram as aeronaves mais fáceis de identificar do que usar apenas os números de série, então, quando você via o Shoo Shoo Shoo Baby retornando, você poderia saber imediatamente que seus amigos tinham feito o retorno em segurança.


Imagens: Don Allen

Tayly Vieira

Tayly Vieira

Entusiasta de Aviação Militar e acadêmica de Engenharia Ambiental pela UTFPR. Costuma escrever seus artigos sob a sombra da Árvore de Gondor.
Tayly Vieira
  • Alex Ricardo Parolin

    Muito bom o artigo. Incrível como coisas tão simples como uma pintura se tornam marcas tão fortes!

  • Rodrigo Meira

    Desert Lil, B-25 operado pelos brasileiros na Itália

  • Márcio Lira

    Aí sou fã demais, rsrs