PAK FA T-50 ganha um novo nome: Su-57

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O protótipo do caça russo conhecido até então como PAK FA T-50, finalmente foi batizado oficialmente como Su-57, após a aeronave completar todos os testes e se aproximar cada vez mais de sua produção. Porém, o bimotor de combate avançado, concebido para papéis de superioridade aérea e ataque, ainda precisa passar por mais alguns testes de motor antes da produção em escala poder começar. Este já é o nono protótipo do T-50 que foi equipado com o Izdelie-30, motor de quinta geração que será testado até o final do ano.


O diferencial do motor

O novo motor instalado é mais poderoso, silencioso e eficiente que os motores dos protótipos anteriores. Ele está em um patamar superior comparado ao seu antecessor, Izdelie-117, uma versão modernizada do motor AI-31, o “coração” do Su-27.

O novo motor fará com que o Su-57 seja capaz de manter uma velocidade de cruzeiro supersônica (Mach 2* / 1.079 kt / 2.000 km/h – em altitudes específicas), ainda sem pós-combustão. A aeronave também pode voar mais de 5.000 km sem reabastecimento nem tanques de combustível externos.

Estima-se que o novo motor seja concluído até 2020, quando finalmente o Su-57 poderá atingir a capacidade operacional dentro da Força Aérea Russa.


A concorrência

Os principais concorrentes do Su-57 serão, claro, o Lockheed Martin F-22 Raptor e F-35 Lightning II. O Raptor já está em serviço na USAF, porém, com apenas metade do pedido entregue e com a produção parada, sem indício de retorno, enquanto o F-35 está na infinita fase de testes e implantação. Segundo o fabricante russo, o Su-57 será consideravelmente mais barato do que os antagonistas americanos.

Outro candidato possível é o chinês Chengdu J-20, que entrou em serviço com a Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLAAF) em Março de 2017, além de outros caças de quinta geração que atualmente se encontram em estágio de testes e desenvolvimento, incluindo outro chinês, Shenyang J-31, o turco TAI TFX e o russo Mikoyan MiG-41.

A quinta geração de caças russos vai entrar em produção em massa muito mais tarde do que o F-22 Raptor, que já está em serviço com a Força Aérea dos EUA há seis anos. Isso na verdade pode ser vantajoso, uma vez que os russos terão tempo suficiente para avaliar seus principais concorrentes antes de finalizar seu próprio avião.

Vale citar que o Brasil está na história de negociação do então futuro Su-57. Pouco antes do projeto FX-2, os russos ofereceram uma parceria com o Brasil para o desenvolvimento do T-50, como uma maneira de amenizar o fracasso da participação do Sukhoi Su-35 na disputa. Ocorreu então mais uma recusa do Brasil, e hoje, como todos sabem, sendo uma artimanha política ou não, a FAB acabou elegendo o Gripen NG na ocasião (2013).


Produção e aquisição

Apesar das vantagens de seu novo projeto, os russos têm inicialmente pouco interesse na produção em massa do novo Su-57. A principal razão é o fato do caça ter basicamente os mesmo sistemas já existentes no Su-35S Flanker-E. Em suma, essa nova versão do Flanker oferece as mesmas capacidades que qualquer caça de quinta geração, logo, os russo não estão dispostos a gastar dinheiro em um sistema que oferece apenas um aumento mínimo no desempenho de uma tecnologia que eles já possuem.

Ainda a contragosto, pretendem mesmo assim comprar a versão melhorada do Su-57, que contará com, dentre outras melhorias, um futuro novo motor, vendo que os russos continuam a desenvolver a próxima geração de motores Saturn izdeliye 30 para o T-50. Há poucos detalhes disponíveis sobre os motores izdeliye, mas já sabemos que seu primeiro voo instalado a bordo do PAK-FA deve ocorrer no fim de 2017, estando pronto para uso em 2025.

Todavia, este não é o único projeto para o futuro próximo. Os russos ainda focam no desenvolvimento de um novo caça leve de quinta geração, que fará parte do projeto de rearmamento em 2025. O RSK-Mig aparentemente está trabalhando em um projeto para esse programa, mas como com todos os desenvolvimentos secretos, essa informação é apenas um grão de areia em uma praia de segredos.

A indústria de defesa russa continua com o mesmo dom americano para promover novos conceitos, na esperança de que o governo compre ou até mesmo financie o produto. O Su-57 é a aposta da vez, porém, mesmo se este não obtiver seu sucesso em números, já podemos esperar uma cartada da Mig em futuro próximo.


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Tayly Vieira

Tayly Vieira

Entusiasta de Aviação Militar e acadêmica de Engenharia Ambiental pela UTFPR. Costuma escrever seus artigos sob a sombra da Árvore de Gondor.
Tayly Vieira