Como superar os medos de voar em uma TMA

Devido às dimensões continentais de nosso país, é comum que muitos alunos se formem como pilotos em locais de baixo tráfego aéreo, como no interior dos estados.

Isso traz uma grande vantagem ao dar mais fluidez e liberdade ao treinamento básico, porém, essa mesma condição de falta de tráfego e estrutura aeroportuária também priva o aluno das experiências que ele viverá em seus voos futuros.

Como é da falta de conhecimento que nasce o medo, vejamos a seguir algumas dicas que mostrarão que voar em uma área de tráfego intenso, como a Terminal São Paulo, é apenas uma questão de adaptação do que você já sabe.


Planeje a parte teórica

A base de um voo seguro em um local ainda novo para você é o ato de você estar ciente de tudo que encontrará, colocando em prática o famoso conceito de “voe sempre à frente de sua aeronave”.

No caso dos aeroportos de origem, destino e alternativa, lembre-se de que quanto maior o aeroporto, maiores são as informações das quais você deve estar ciente.

O circuito é padrão ou há carta VAC? Quais elevações existem na área? Há alguma limitação na aproximação ou prolongamento da pista? Há frequências alternativas dos órgãos de controle? Existem particularidades na Sala AIS do local? Essas e muitas outras informações estão no ROTAER, o qual você deve conferir atentamente.

Assim como a decolagem e o pouso, a rota merece igualitária atenção. Além dos cálculos de autonomia, atente-se aos detalhes das cartas de rota que não dizem respeito necessariamente à sua rota prevista, como as áreas condicionadas que estão por perto. Em uma situação emergencial, é sempre bom saber se passar por dentro de uma será uma possibilidade ou uma surpresa maior ainda.

Tais informações sobre as áreas estão no AIP Brasil, que assim como o ROTAER, cartas e outros auxílios, pode ser encontrado no AISWEB.


Pratique sua fonia

Uma das deficiências de nossa formação aeronáutica nacional é a inexistência de uma abordagem teórica da fraseologia de tráfego aéreo. Em suma, boa parte dos pilotos aprendem a falar na fonia diretamente na prática, e seguem evoluindo com sua experiência.

Vendo esse cenário, é compreensível que quem normalmente voa em um espaço aéreo Classe G tenha certo receio de ingressar em uma Terminal.

Instruções, cobranças e reportes, não somente de sua aeronave mas também às demais aeronaves na sua área, são o que constituem essa experiência.

Felizmente a tecnologia está aqui para nos ajudar, e hoje não é difícil encontrar vídeos de voos no Youtube com fonias para a familiarização.

Isso é útil principalmente na fase mais elementar: a cópia das instruções de saída – Momento no qual o piloto tem de compreender, decorar e repetir as instruções no menor tempo possível. Afinal, você é apenas uma dentre várias aeronaves esperando para começar o táxi.

Assim como em outros pontos da aviação: Estude, assimile e pratique. A Fraseologia não é um dom, e sim uma mera habilidade.


Eleve sua orientação espacial

O fato de você agora estar em uma malha aeroviária mais densa também deve mudar seu modo de perceber seus arredores.

Como citado, você deve estar ciente não somente do que diz respeito à sua aeronave, mas também às aeronaves alheias, tanto no quesito de rota quanto no de instruções e intenções.

Você é o próximo a alinhar na pista? Atente-se ao número e características das aeronaves na aproximação. Há um Seneca na mesma rota de seu C152? Então preveja uma ultrapassagem. Outra aeronave chamou a Torre assim como você? Procure definir em qual setor ela está, e como ingressará no circuito.

A segurança de voo agradece sua atenção.


Amigos são pra isso

Para finalizar, se você tiver a oportunidade, faça seus primeiros voos para novas áreas com amigos em duplo comando. Afinal, melhor do que confiar nas informações oficiais, é ouvir conselhos pessoais sobre tais informações.

“Aqui afirma que há abastecimento nesse aeródromo, mas o rapaz que opera a bomba só chega aqui ao meio-dia. Se você quiser abastecer antes, tem que dar um jeito de ligar pra ele”.

Se não for possível voar com um amigo em questão, ao menos se consulte com ele, seja sobre a rota, aeroportos ou plano de voo. Amigos são pra isso.

Voar em uma TMA pode parecer desafiador aos iniciantes, mas assim como diversos outros, esse receio também é superável.

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Alexandre Sales

Piloto Privado de Avião, desviando de urubus nos céus da Terminal São Paulo desde o primeiro voo
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