Medo de Voar Solo é Normal?

Em muitas ocasiões aqui no Canal Piloto, falamos aos nossos leitores sobre a importância de se voar solo durante o curso de PP. Essa experiência é fundamental na construção de nossa confiança nos comandos da aeronave. Em minha experiência particular, vi inúmeros alunos ansiarem pelos seus voos solo – muitas vezes, até, insistindo em serem liberados perante instrutores que recomendavam mais voos em duplo comando. Na contramão disso tudo, sempre tive receios em voar solo, algo que sempre me frustrou e incomodou bastante: como poderia haver tanta hesitação em algo pelo qual sempre esperei tanto?

Pesquisando um pouco sobre o assunto, percebi que o problema é mais comum do que podemos imaginar. Para meu alívio, não estou sozinho: inúmeros pilotos enfrentam o mesmo problema. Alguns, até, chegaram a abandonar sua formação por causa do problema. Como, então, lidar com ele? Vejamos então algumas alternativas que pude conhecer com minhas pesquisas, além de algumas experiências pessoais:


Peça ajuda ao seu instrutor

Se sentir necessidade de fazer mais voos em duplo comando, tenha a certeza de que seu instrutor compreenderá perfeitamente a sua situação. Em minha formação, muitos pilotos e instrutores consideram consciente a minha decisão de voar mais vezes em duplo comando antes de fazer outros voos solo. E cá entre nós, algumas horas a mais em nossa CIV não fazem mal a ninguém.


Entenda suas imprecisões enquanto aprendiz

“Não cravar os parâmetros de voo significa não ter controle da aeronave”. Essa afirmação pode parecer correta, mas principalmente para um piloto iniciante, ela pode ser excessivamente exigente. Afinal, alguma imprecisão é tolerável para quem está em fase de aprendizado. Para minha felicidade, tive uma aula onde o instrutor aplicou a seguinte didática: tampar alguns instrumentos de voo, ao menos para o meu ângulo de visão, e observar qual seria minha reação. Certamente houve ligeiros desvios nos parâmetros de voo, que foram monitorados pelo instrutor o tempo todo. No entanto, perceber que o voo se manteve seguro, ainda que impreciso, me ajudou a me sentir mais confiante para voar com minhas imperfeições a bordo.


Considere alternativas na didática

Aquela navegação de 50 milhas parece muito longa? Considere fazer uma de 10 milhas, por exemplo, para depois progredir para navegações mais longas. Em minhas pesquisas, soube de instrutores que chegaram a decolar logo após os seus alunos, voando próximo a eles e mantendo a mesma frequência no rádio. Assim como no caso dos instrumentos tampados, considerar abordagens diferentes é algo de que seu instrutor pode lançar mão pelo seu aprendizado. A você, enquanto aluno, cabe discutir tais alternativas com seus instrutores, para que avaliem em conjunto tais possibilidades.


Como também já comentamos em outras ocasiões, o medo é benéfico e até necessário ao piloto. Sem ele, podemos nos tornar negligentes com nossa segurança de voo. O problema é quando o medo é maior do que deveria ser, tornando nossa percepção de risco maior do que o risco real que corremos. Felizmente, há muitas maneiras de se lidar com esse problema. E a grande maioria delas passa pela humildade em reconhecermos nossas próprias limitações.

Luiz Cláudio Ribeirinho
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Luiz Cláudio Ribeirinho

Piloto Privado Teórico, host e editor do CP Cast, revisor, e vocalista da banda Rock Wheels.
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  • Rodrigo Meira

    Ótimas dicas

  • Márcio Lira

    Mike Bravo!!

  • Milton

    Um tema incômodo, pouco comentado no meio, é o voo solo na formação de pilotos de helicóptero. Raramente acontece, me formei PCH e INVH sem nunca ter voado solo. Achei até que fosse uma coisa só minha, depois vi que é bastante comum, apesar de ser estranho na minha opinião.

    Por outro lado, quando fiz PP Avião nos anos 90 no Aeroclube de São Paulo (não cheguei a checar na época), solei com 24 horas…

    Considerando que minhas chances de entrar no mercado de trabalho das rotativas são quase nulas atualmente, acho que não vou voar solo nunca. Talvez quando eu for dono do meu próprio 22 ou 44, quem sabe…