Aeronaves Históricas: Fokker F27

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Quando falamos em aeronaves que revolucionaram o mercado das companhias aéreas, um dos mais importantes nomes a citarmos é, sem dúvida, o Douglas DC-3. Primeira aeronave a cruzar os Estados Unidos de costa a costa com apenas três paradas, eliminando a necessidade de combinar o transporte aéreo com o transporte ferroviário, o DC-3 teve décadas de glória como um dos melhores (senão o melhor) avião de linha aérea de sua época. Para consolidar ainda mais sua presença no mercado, o DC-3 foi amplamente utilizado na logística da Segunda Guerra Mundial. Pouquíssimas aeronaves desse modelo foram abatidas durante o confronto, gerando uma grande disponibilidade para as linhas aéreas do mundo pós-guerra. Na visão de muitos operadores, um dos possíveis caminhos para se destacar em seu mercado passava pela busca de uma aeronave que pudesse superar o soberano DC-3. E a fabricante a aceitar o desafio de criar esse possível substituto foi ninguém menos do que a holandesa Fokker Aircraft.

Mas como superar um projeto tão bem elaborado, e por isso mesmo, merecidamente consolidado em seu mercado? Uma das principais ideias foi a utilização de motores turboélice, em contraponto aos motores radiais utilizados pela Douglas Aircraft. Os motores Rolls-Royce Dart, escolhidos para o projeto, conferiram ao protótipo da Fokker menor vibração e ruído, melhorando consideravelmente a experiência de voo dos passageiros – para não citar os ganhos de desempenho da aeronave. A pressurização da cabine também possibilitaria voos em altitudes mais elevadas, e com maior alcance. E as inovações não pararam por aí.

A Fokker também decidiu projetar uma aeronave de asa alta, que graças a essa configuração, pudesse ter a fuselagem mais próxima ao solo, facilitando o embarque principalmente de cargas e bagagem. A asa alta também permitia uma melhor visibilidade da paisagem aos passageiros. Além disso, a montagem da fuselagem utilizou também uma técnica inovadora para a época, conhecida como Redux, em substituição ao processo convencional de rebitagem. O Redux possibilitou a criação de uma fuselagem mais leve, aerodinâmica e menos suscetível a fadigas. Nascia assim em 1953 o Fokker F27, inicialmente batizado de Friendship.

O primeiro protótipo do Fokker F27 Friendship ganhou os céus em 24 de novembro de 1955, sob o prefixo PH-NIV. Com sua capacidade para até 32 passageiros, o Fokker F27 teve um início tímido de vendas, chegando a necessitar de suporte financeiro para que sua produção fosse mantida. No entanto, logo a confiabilidade e sua performance superior começaram a se tornar notórias, transformando-o em um sucesso de vendas.

O Fokker F27 tornou-se ainda mais conhecido quando passou a ser produzido nos Estados Unidos pela Fairchild Aircraft, razão pela qual tornou-se conhecido nas américas como Fokker F27 Fairchild. Novos modelos do Fokker F27 continuaram sendo produzidos até o ano de 1987, e apesar de não ser mais produzida, a aeronave segue em operação até os dias atuais, em voos domésticos para companhias aéreas locais. No total, 586 exemplares da aeronave foram produzidos, operando em mais de 170 companhias aéreas, além de prestar serviços militares a 35 países diferentes – alguns destes exemplares militares seguem em atividade até os dias de hoje. Os Golden Knights (“Cavaleiros Dourados”), time de paraquedistas do Exército Americano, utilizam até hoje uma versão militar do Fokker F27, conhecida como C-31A, para o lançamento de seus paraquedistas.

Luiz Cláudio Ribeirinho
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Luiz Cláudio Ribeirinho

Piloto Privado Teórico, host e editor do CP Cast, revisor, e vocalista da banda Rock Wheels.
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