Análise – EJ: Escola de Aviação Civil

Atualizado: 2015 | Então senhores, após escrever minhas análises sobre o Aeroclube de São Paulo e o Aeroclube de Bragança Paulista, hoje vou relatar minha vivência na terceira instituição através da qual segui voando: a EJ – Escola de Aviação Civil – Unidade Jundiaí.

Tal qual nas análises anteriores, lembro novamente que este não é um post patrocinado pela escola, este será uma análise que tem como objetivo apresentar as principais características do lugar, deste modo você poderá usar os detalhes a seguir para incluir esta instituição como um dos lugares para você pesquisar sobre, e possivelmente, vir a realizar o seu curso teórico ou prático no futuro.

Antes de começarmos é importante citar que a EJ não é um Aeroclube e sim uma Escola de Aviação. A diferença é que o Aeroclube é uma espécie de ONG colaborativa que ainda possui alguns benefícios do governo, por outro lado uma Escola de Aviação é uma instituição privada, que consequentemente é obrigada a ter preços mais elevados devido a taxas e impostos, mas geralmente acaba sabendo utilizar esse capital de um melhor modo.

Período da experiência

Fui conhecer a EJ pela primeira vez em 2012 juntamente com um grande amigo meu, e após me matricular, realizar o ground school e padronizações, fiz o meu primeiro voo na escola no mesmo ano, no C152 PR-EJS. Continuo frequentando a escola até o momento da publicação dessa análise, e pretendo realizar todos os meus cursos adicionais na EJ.

Meios para o aeroporto

Como eu moro no litoral de São Paulo, tenho de realizar uma jornada diária de 4h para ir ou voltar de SBJD – Na ida: pego um ônibus municipal até a rodoviária de minha cidade (1h – R$ 2,85), chegando lá ingresso em um ônibus rodoviário até o Terminal Jabaquara em São Paulo (1h – R$ 17,80), utilizo o metrô na própria Estação Jabaquara até a Estação Portuguesa-Tietê (30 min – R$ 3,50), pego um segundo ônibus rodoviário no Terminal Tietê até a Rodoviária de Jundiaí (1h – R$ 13,00) e para finalizar, no rodoviária de destino pego um táxi até o Aeroporto de Jundiaí que me deixa na porta da EJ (12 min – R$ 25,00). O retorno é praticamente o mesmo, com outras 4h.

Em 2015 a Cometa, empresa que faz a linha São Paulo – Jundiaí, fez uma pequena modificação em sua linha, e agora também disponibiliza a opção de parada no próprio Aeroporto de Jundiaí. O ponto da parada infelizmente não é na mesma entrada da EJ, e sim no Terminal de Passageiros do aeroporto, mas a caminhada até a área da escola dura menos de 10 minutos pelo perímetro do aeroporto.

Apesar do trajeto rodoviário que sigo, há outra opção para quem mora ou passa por SP. É possível ingressar no Metrô e fazer a transferência para o trem da CPTM que vai até a estação ferroviária de Jundiaí. Partindo da estação ferroviária ou da rodoviária, é possível pega um ônibus municipal até a “Estação Central” e de lá pegar um segundo ônibus municipal que para próximo ao aeroporto. Este meio alternativo é obviamente mais barato, porém eu ainda utilizo o modo mais caro por ser mais rápido, afinal, se do modo mais direto eu levo 4h, imagine se eu tivesse de incluir o tempo de espera dos ônibus municipais e possíveis atrasos destes.

Resumidamente, se você não mora do outro lado do mundo como eu, analise também esses meios alternativos.

Estrutura da escola

Isso é o que mais impressiona o visitante de primeira viagem, a estrutura da EJ na unidade de Jundiaí é enorme, muito bem projetada e com vários andares, incluindo hangares interligados, balcões administrativos, salas de briefing estrategicamente posicionadas, salas de espera confortáveis e climatizadas, além do setor de simuladores e teórico inclusos dentro dessa estrutura, juntamente com uma lanchonete interna e máquinas de café for free.

A EJ na qual estou voando é estabelecida no Aeroporto de Jundiaí, porém também há a EJ de Itápolis no interior de SP, local no qual a EJ teve origem e onde são mantidos outros cursos, como o de Piloto Agrícola. Um dos pontos a se diferenciar é que a EJ de Itápolis possui um alojamento próprio, já a de Jundiaí, apesar de não os possuir, tem por vezes algumas parcerias com hospedarias na região.

Paralelo com esses dois principais centros de formação, a EJ veio se expandindo nos últimos tempos, e hoje conta com uma unidade de ensino teórico próxima do Aeroporto de Congonhas em São Paulo, e também ministra aulas em Campo Verde – MT.

Inserido dentro da EJ de Jundiaí também há uma loja da Bianch Pilot Shop, na qual você pode comprar materiais para o teórico e prático, como livros, uniformes, CIVs, headsets e outros.

Estrutura do aeroporto

SBJD possui pista e taxiways asfaltadas e próxima dos hangares, assim economizando o tempo de taxiamento, não possui restrições nas cabeceiras (mas há no prolongamento) e é estruturada com Controle de Solo e Torre de Controle.

A Sala AIS por vezes aceita Notificações e Planos de Voo por telefone, mas ela infelizmente fica fisicamente em um setor diferente do local da EJ, sendo assim você terá de ir de carro ou caminhar alguns minutos caso precise ir lá pessoalmente.

Ambiente

Levando em conta os aeroclubes nos quais voei anteriormente digo que a EJ reúne o melhor dos dois mundos: ela possui uma estrutura melhor que a do Aeroclube de São Paulo (que já é boa) e ainda junta isso com o mesmo “Ambiente Familiar” do Aeroclube de Bragança Paulista, ou seja, na EJ todos falam com todos, PC com PP, INVA com PP teórico, visitante com PC e tudo mais, sem restrições de classe ou carteiras.

Se você ainda não é situado sobre esse assunto, saiba que infelizmente isso não é comum em todos os lugares do Brasil, portanto é um privilégio conviver em um local excelente neste ponto.

Curso teórico

Apesar de eu não ter realizado meus cursos teóricos na EJ, sei que o ponto forte e também alvo de muitos alunos é o curso teórico intensivo, o qual é mais caro que a média, mas capacita o aluno em apenas algumas semanas com aulas diárias e em período integral.

Além do curso convencional, também foram lançadas outras modalidades com o tempo, como a chamada Orientação para Piloto Privado de Avião, que em resumo visa preparar os alunos que estudam de modo autodidata em casa, através de aulas apenas aos Sábados para guiá-los nesse trajeto solo.

Agendamento de voos

Esse é mais um dos principais diferenciais: chega de ficar acordando de manhã para ligar para o aeroclube torcendo para conseguir uma vaga. Na maioria dos locais o aluno ainda utiliza este sistema citado, tendo de fazer tudo via telefone junto com as outras centenas de alunos ao mesmo tempo todos os dias, ou ainda pessoalmente. Ambos os sistemas foram descritos com maiores detalhes nas análises citadas no início desta postagem.

Já na EJ o sistema de agendamento é online através de um portal incluso no site da escola. Ao se matricular você ganha o cadastro através do qual pode acessar o “Flight Center”, e marcar os seus voos através da disponibilidade que você poderá checar através de um calendário, com os horários livres e ocupados que há em cada aeronave da escola. Se você comprou um pacote de horas ou até mesmo o curso de PP inteiro, poderá em apenas um dia marcar todos os seus voos, sem limitações de semana ou cota como há em outros lugares.

A disponibilidade em si não é um defeito e sim apenas uma consequência do grande número de alunos. Normalmente quando entro para marcar um voo, só há vagas para 3 semanas adiante, sendo assim sempre procuro marcar meus voos com no mínimo um mês de antecedência e deste modo não tenho problemas. Além disso você pode ficar de olho no calendário do dia posterior para adquirir uma vaga que algum outro aluno tenha cancelado recentemente, vendo que é recomendado pela escola livrar uma vaga não desejada em até 12h antes do voo, mas normalmente os alunos o fazem 24h antes. Caso o aluno marque um voo e não compareça por ter esquecido, será aplicado uma multa sobre seus créditos adquiridos, mas se a pessoa não chegou a tempo por causa do trânsito (como já aconteceu comigo) ou imprevistos, é possível ligar via celular explicando o ocorrido.

O sistema é praticamente autossuficiente nesse sentido. Você tem acesso ao calendário, pode ver as vagas livres e ocupadas, e pode agendar ou cancelar voos sem a mediação de funcionários ou fila para atendimento, seja isso para as vagas do dia seguinte ou com meses de antecedência.

Fidelidade do agendamento de voos

Pelo fato da EJ ser uma Escola de Aviação, ou seja, uma instituição privada, percebo que eles tratam os alunos não apenas como alunos, mas também como clientes. Todos os voos que marquei com antecedência e de maneira correta foram confirmados, os que não foram eu havia marcado de última hora pegando vagas recentemente canceladas ou havia tentado encaixe, coisas que dependem do resto dos voos do dia e nem sempre são possíveis.

Todo voo que você marca é fixado no seu Flight Center, e através deste você pode ver se ele ainda está pendente ou se já foi confirmado, exibindo ainda a matrícula da aeronave e o nome e foto do Instrutor de Voo que voará com você. No dia anterior da aula você ainda receberá um e-mail informando todos os detalhes que já estão previamente disponíveis no site, nesta mensagem você verá as informações da confirmação ou o cancelamento e o motivo deste (como no caso da tentativa de encaixe)

Ainda sobre isso há uma história interessante a contar. Certo dia eu havia marcado um voo normalmente, e no dia anterior do voo em si recebi a confirmação via e-mail. Por este motivo tirei a noite para revisar mais uma vez o manual da aeronave, e para isso me desconectei do mundo, desligando o computador e celular. Já após o horário de expediente houve um problema com a aeronave na qual eu iria voar, e assim lá pelas 21h um funcionário responsável pela escala me enviou um e-mail notificando o cancelamento, o qual eu não vi, em seguida tentou me ligar via celular, o qual estava desligado, e finalmente ligou no meu telefone fixo, podendo avisar com sucesso sobre o meu voo cancelado, evitando que eu gastasse um dia inteiro de viagem.

Neste momento você pode se perguntar “E o que há demais nisso? O funcionário fez o papel dele não é?” – Sim, fez, porém novamente é necessário citar que isso acaba sendo um diferencial vendo que não é todo aeroclube/escola que tem essa preocupação com o aluno. Muitos lugares só avisam que seu voo foi cancelado quando você chega no aeroporto para se apresentar para o voo.

Pequenos detalhes fazem a diferença.

Curso prático

Comparando com os lugares onde voei anteriormente, o primeiro contraste da EJ nesse campo prático foi a exigência com o preparatório para o voo. Nos aeroclubes anteriores todos os checklists eram lidos e executados no mesmo momento, apenas alguns checklists feitos durante o voo teriam de ser decorados, porém, o Padrão EJ exige que o aluno decore previamente todos os checklists, desde o de acionamento até o de corte do motor, e em inglês. Na prática, você efetua o checklists de memória falando em voz alta em inglês, e em seguida lê o checklist físico para se certificar que não se esqueceu de nada. Além de decorar estes, outras listas também são exigidas, como a de documentos obrigatórios a bordo da aeronave. Durante os meus primeiros voos na escola ficou clara a minha evolução ao efetuar o checklits, decorá-los realmente traz mais fluidez durante o processo.

Sobre o voo em si, o prático de PP e o visual de PC são feitos no Cessna 152, e como o objetivo da EJ é formar pilotos focando na aviação comercial e linha aérea, a instrução de voo terá mais essa exigência focando no bem estar de um possível passageiro que poderia estar voando com você. Com isso, mesmo nos momentos fora das manobras de instrução, coisas como ficar pedalando na decolagem para corrigir o eixo, não manter a velocidade exata de subida durante o voo de ascensão, e correções bruscas causando Força G, são alguns detalhes que são cobrados com mais exigência do que em outros lugares.

O restante da instrução com as manobras clássicas de coordenação de 1º e 2º tipo, aproximação 180º, 360º, TGL, perdas e todas as outras, são efetuadas com a mesma importância e padronização dos outros lugares onde voei, de um modo eficiente e sem deixar a desejar.

Um detalhe interessante do curso prático de PC, é que na fase de navegações visuais, que formam 70h deste curso, o aluno tem total liberdade em escolher os locais para o qual vai voar, diferente de outras instituições, que possuem rotas específicas e inegociáveis para o treinamento.

A escola possui uma espécie de mural onde são exibidos os destinos mais comuns para navegações, informando também a distância e os dados para reabastecimento no local. Apesar disso, o aluno é livre para fazer navegações interligando aqueles pontos, ou até mesmo indo para outros destinos fora daquele raio, mediante apresentação do planejamento ao instrutor. Em meu caso, minha navegação mais longa teve 7h de duração, com decolagem de Jundiaí, descida ao litoral por Itanhaém, sobrevoo do litoral do estado até Ubatuba onde abastecemos, em seguida aproamos o interior do estado com destino a Araraquara, onde abastecemos novamente, e pousamos em Jundiaí mais uma vez ao fim da tarde.

Embora eu tenha navegado apenas nos estados de São Paulo e Minhas Gerais, a escola também possibilita navegações para outros estados e pernoites, mediante análise dessa proposta pelos responsáveis da escala.

Política de voo solo

A confiança no aluno é mais um dos diferenciais da EJ, vendo 90% dos aeroclubes brasileiros colocam restrições no voo sem o instrutor. Alguns só permitem se o aluno for sócio do aeroclube, outros exigem uma experiência mínima para tal, e há aqueles que simplesmente não permitem de modo algum, o que acaba sendo contraditório, afinal, o aeroclube não estaria confiando no piloto que eles mesmo formaram.

Já na EJ, durante certas fases do treinamento de PP e PC o voo solo faz parte do desenvolvimento, incluindo navegações, o que só reforça a confiança no padrão de instrução que a escola segue.

Quando eu me matriculei na escola acreditava que esse privilégio era cedido apenas aos alunos que se formaram desde o início ali, e que, quem vinha de outro aeroclube assim como eu, talvez iria ter algum tipo de restrição. Para minha surpresa, tive de fazer apenas 10h de adaptação na nova aeronave, e logo após já estava liberado para o voo solo assim como qualquer outro aluno nativo da instituição.

Uma vez que esteja habilitado para tal, o aluno pode voar solo em qualquer rota na qual já tenha voado com um instrutor anteriormente, seja em um voo local de apenas 1h, ou em um tão longo a ponto de ser necessário o reabastecimento.

Caso o aluno fique muito tempo sem voar por algum motivo, ele terá apenas de fazer um voo com um instrutor para readaptação, e poderá ser liberado novamente.

Apesar da possibilidade, cabe ao aluno decidir em quais navegações ele irá solo ou não, pois se por um lado o voo solo tem papel importante na construção da autoconfiança, por outro lado a experiência de um instrutor ao seu lado lhe deixará cada vez mais hábil em seus procedimentos.

De todas as oportunidades que tive, eu escolhi voar solo por menos de 10 vezes, pois no final das contas ter essa possibilidade é o que realmente importa.

Setor comercial

Uma das maiores dificuldades da formação aeronáutica é o ato de pagar por esse serviço, não apenas pelo valor total dos cursos mas também pelas modalidades de pagamentos disponíveis.

De modo geral, a maioria dos locais oferece o pagamento avulso de horas, os pacotes fixos, e o pagamento total do curso. A principal vantagem que meu amigo e eu notamos na EJ em nossa primeira visita, foi que a responsável pelo setor comercial nos apresentou o orçamento inicial, e disse que o modo e frequência de pagamento eram totalmente negociáveis, seja através das modalidades existentes, ou através de uma análise de proposta ao setor financeiro.

Como eu ainda não conhecia a escola, comecei comprando apenas horas avulsas, mas meu amigo já optou diretamente pelo seu curso de PC completo, assim conseguindo um desconto maior. O interessante desse caso é que ele não pagou tudo à vista, e sim mensalmente, tal qual uma faculdade, mas como ele assinou um contrato com a escola, ele já teve todas as suas horas de voo liberadas para agendamento, mesmo tendo apenas começado a pagar o curso.

A flexibilidade e modalidades de orçamentos são outros fatores que atraem muitos alunos, sejam os que preferem parcelar, ou os que pagam à vista em busca de um desconto maior.

Sociedade

Não há esquema de sociedade, porém há a parceria com o programa SkyScience, através do qual é possível conseguir um desconto nas horas se tornando membro e assistindo palestras sobre assuntos relacionados a aviação e segurança de voo. Infelizmente não cheguei a utilizá-lo para deixar minha opinião sobre.

Instrutores de voo

Certa vez li em algum lugar da internet uma pessoa dizer que “O papel do instrutor é dar instrução” – Citando isso no sentido de que não é obrigação do instrutor gastar mais de seu tempo antes ou depois do voo ajudando o aluno, e que também não é obrigatório que o instrutor seja simpático, amigável ou prestativo além da instrução.

Quero iniciar esse ponto contando duas histórias que contrastam com a citação acima.

Certa vez fui fazer um voo de repasse, e chegando adiantado me encontrei com o INVA. Como ainda faltavam umas 2h para nosso voo, ficamos conversando por cerca de 15 min sobre um assunto ligado a segurança de voo, nada relacionado a nossa aula daquele dia, eram apenas dois amigos trocando opiniões e experiências. Percebendo que ficaríamos ali mais alguns minutos ele me diz:

– Sales, não vamos ficar em pé parados aqui, que tal irmos até a lanchonete do outro lado da pista para tomarmos um café da manhã?

Fui de carona no carro dele e fizemos um lanche enquanto conversávamos sobre assuntos relacionados a aviação e ao voo que viria. Retornamos pontualmente para realizar o briefing oficial e seguir para o voo. Encerramos por enquanto essa primeira situação por aqui.

A outra história diz respeito a um voo no qual já havíamos passado a Notificação de Voo e feito os checks iniciais, mas quando fomos solicitar o acionamento ao Controle de Solo, começou a chover em um nível considerável, as operações foram suspensas, e meu voo teve de ser cancelado. Devido a essa chuva todos os INVAs ficaram em solo e sem obrigações. Eis que o instrutor com o qual eu iria voar diz:

– Sales, você vai embora agora já? Se quiser pode fazer uma hora de nacele.

– Boa ideia, vou fazer sim, só pra não perder a viagem.

– Você quer que eu faça com você para repassarmos os checks ou tirar duvidas?

Essas duas histórias são simples e novamente não há nada demais em um primeiro momento, mas mostram como os instrutores dão uma atenção a mais para o aluno, mesmo antes ou depois da instrução, contrariando assim a frase do início desde tópico. Nos aeroclubes onde voei tive INVAs excelentes, mas os da EJ se destacam neste ponto, talvez novamente pela questão do “aluno-cliente” em relação a instituição privada. A frase “O papel do instrutor é (apenas) dar instrução” não está errada, mas é cabível dizer que no momento em que um aluno está pesquisando onde irá investir milhares de reais para fazer sua formação, a boa vontade de instrutores como estes pesam sim positivamente.

Quanto aos instrutores, estes existem em bom número, não deixando aviões no chão por falta de INVAs, e a maioria está na faixa dos 20 à 30 anos, não deixando em nenhum momento essa jovem experiência contrastar com a de instrutores na faixa dos 40 anos. Em diferentes aeroclubes já voei com instrutores de todas as idades, e os da EJ com a sua padronização conseguem manter e elevar o nível, tanto na hora de instruir e explicar, quanto na hora de exigir e apresentar ao aluno o que ele está errando.

Pouco tempo depois que iniciei na escola, a EJ implantou em seu Flight Center uma funcionalidade que achei excelente. Anteriormente no seu cadastro ficavam apenas os seus voos realizados juntamente com os relatórios escrito pelos INVAs, mas em seguida foi implantada também a opção de feedback, ou seja, você pode clicar em cada voo que você fez e enviar à administração um pequeno relatório sobre o que você achou de seu voo e também da instrução do INVA com o qual você voou. Agora o aluno também tem voz.

Área de treinamento

As áreas utilizadas são as que ficam situadas ao redor dos aeródromos de Atibaia e de Bragança Paulista: SBR 458, SBR 459 e SBR 460. Não é exatamente do lado, mas é bem próximo, mesmo com o tempo de deslocamento é possível ir, treinar, voltar e ainda manter exatamente 1h de voo.

Para o treinamento de TGL é possível ficar no próprio aeroporto de SBJD, diferente do Campo de Marte por exemplo, onde normalmente tínhamos que nos deslocar à SDTB ou SDIH para efetuar esse treinamento na época em que voei por lá.

Aspectos positivos

A EJ tem uma estrutura invejável, grande número e variedade de aeronaves, um sistema de agendamento totalmente eficiente, instrutores com os quais é um prazer voar e um ambiente onde é agradável conviver, tudo isso sem contar o ótimo preparo dos outros funcionários, como as atendentes do setor comercial, as quais eram tão bem situadas quanto a formação aeronáutica que teorizamos que, ou elas eram PP/PC formadas, ou foram excelentemente bem treinadas.

A constante comunicação com os alunos não somente por telefone, mas também via e-mail, é um diferencial, principalmente para pessoas como eu, que passam boa parte do dia em frente ao computador.

Um detalhe que muitos visitantes gostam quando conhecem a EJ em um primeiro momento, é que como todos os hangares são interligados com o restante da estrutura, é possível conhecer as aeronaves e chegar próximo dos aviões sem restrição de grades ou bloqueios, mas é claro, tudo isso fica no campo de visão dos funcionários.

O que pode melhorar?

Como vocês podem ver, tudo o que depende da administração, como padronização, frota, agendamento, estrutura e etc, está perfeito. Nesse tópico eu teoricamente teria de citar os pontos negativos da EJ, mas as dificuldades que tenho em minhas viagens de ida e volta que duram 4h, não são responsabilidade da escola obviamente, portanto como aluno e cliente fico feliz em afirmar que não há defeitos a citar.

Aproveitando isso, vou explorar a seguir um tópico onde irei esclarecer um ponto que outras pessoas podem considerar como um defeito, uma vez que essas não sabem como de fato o sistema funciona.

“Só voa na EJ quem é rico”

Essa frase normalmente é dita por pessoas que veem seus amigos ou conhecidos voando lá e tendo de comprar pacotes de horas ou fechar orçamentos de cursos inteiros. Mas a frase inicial está incorreta, pois você pode sim voar comprando apenas 1h de voo avulsa, que foi o que eu mesmo fiz.

Através de experiências alheias de pessoas que voaram em outros aeroclubes do Brasil, aprendi a nunca comprar pacotes de horas por impulso, por padrão eu primeiramente compro apenas 1h para avaliar a qualidade do local. Mas qual problema há em continuar nas horas avulsas? Suponhamos o exemplo:

O aluno comprou apenas 1h de voo no dia 1º de Janeiro, e quando ele foi marcar no calendário viu que só haveria vagas livres para 1º de Fevereiro. Ele marca o voo e aguarda. Chegando no dia 1º de Fevereiro o tempo está horrível, e ele é obrigado a cancelar o voo, e assim, terá de remarcar. Porém, o problema se repete, e ao ver o calendário ele observa que só haverá vagas para um mês adiante, no dia 1º de Março.

Ou seja, o aluno até pode comprar horas avulsas, mas ele terá o treinamento e aproveitamento prejudicados, não por causa da escola, mas sim devido ao número de alunos com os quais ele disputa as vagas disponíveis.

Deste modo o mínimo recomendável é você adquirir as horas de todo o mês seguinte, para haver tempo de voar e ir marcando as novas horas, e assim, se tiver de desmarcar um voo devido a meteorologia, na semana seguinte já haverá um novo voo confirmado, o qual você agendou há 1 mês atrás.

Seguindo essa lógica, muita gente prefere comprar grandes números de horas, ou até fazer um orçamento para comprar todo o PP ou PC e ir pagando através de mensalidades.

Avaliação:

  • Meios para o aeroporto – 8
  • Estrutura da escola – 10
  • Estrutura do aeroporto – 8
  • Ambiente – 10
  • Agendamento de voos – 10
  • Fidelidade do agendamento de voos – 10
  • Curso prático – 10
  • Política de voo solo – 10
  • Setor comercial – 10
  • Instrutores de voo – 10
  • Área de treinamento – 9

Aspectos positivos

  • Frota
  • Estrutura
  • Ambiente
  • Sistema de agendamento
  • Atenção extra dos instrutores
  • Preparo técnico dos funcionários
  • Confiança no aluno para o voo solo

O que pode melhorar?

  • Tudo está como deveria ser

Meus videos na EJ – Escola de Aviação Civil

Imagens valem mais que mil palavras

Após ler a análise, pense com calma, compare com outros aeroclubes, faça as contas, veja os aspectos e tudo mais.

Como dica final posso dizer: jamais pesquise sobre um aeroclube ou escola apenas pela internet ou telefone, vá pessoalmente e veja tudo por si mesmo, pois como todos sabem, opinião é como CHT, cada um tem a sua.

Caso você deseje se aprofundar ainda mais na pesquisa sobre a EJ, no blog “Para Ser Piloto” há postagens sobre o assunto, como esta, mas além de ler fique atento quanto a data das postagens, alguns pontos podem ter mudado.

Abraços

Sales

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Os comentários de todas as postagens de análises são fechados para que opiniões de terceiros não destaquem positivamente ou negativamente a instituição alvo da análise, vendo que os textos são balanceados e citam todos os pontos positivos e negativos durante o período especificado no início da análise.

Qualquer contato direto sobre o assunto pode ser feito através do nosso e-mail.

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Alexandre Sales

Piloto Privado de Avião, desviando de urubus nos céus da Terminal São Paulo desde o primeiro voo
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