Aprendendo a Voar: nas Terminais ou Fora Delas?

Atualmente trabalho como instrutor de voo em Jundiaí e em Itápolis, ambas as cidades no estado de São Paulo. Acredito que existem muitos pontos positivos e negativos em voar dentro ou fora de uma grande terminal (TMA), como RJ ou SP, ou regiões com grande fluxo de aeronaves.

Existem vários pontos positivos em voar em localidade fora das grandes TMA-RJ, SP ou BH. Um deles é ter a área de treinamento muito próxima ao aeródromo de decolagem, sendo possível treinar muito as manobras básicas, que serão ministradas nas primeiras horas do curso de piloto privado. Entre essas manobras, estão o estol, a coordenação de 1° e 2° tipo, a coordenação/atitude/potência, as curvas, a pane simulada e a glissada.

Os aeródromos localizados fora da TMA também possuem um pequeno fluxo de aeronaves, sendo muito produtivas as lições de toque e arremetida, e de emergências. No entanto, voar em um aeródromo fora das grandes terminais também tem seus pontos negativos. Entre esses, está o pouco contato com a fraseologia, pois nessas regiões utiliza-se somente a frequência livre. Essa situação deixa o piloto “tímido” em se comunicar com outros órgãos de tráfego aéreo (torre ou controle), gerando um certo temor de voar em áreas com grande fluxo de aeronaves. Vejo isso em muitos pilotos que voam em áreas não controladas.

Acredito que voar na TMA-RJ,SP ou BH tem vantagens como voar em regiões com grande fluxo de aeronaves, gerando um ganho de agilidade na fonia, além de se voar em localidades como Marte(SP) ou Jacarepaguá(RJ), o que exige do piloto uma rapidez na fonia devido à grande quantidade de aeronaves voando.

Outro fator a se destacar é em relação ao treinamento IFR em aeródromo com pequeno fluxo de aeronaves. Essas localidades só possuem auxílios como NDB, VOR ou RNAV, enquanto nos aeroportos com grande movimento (Campinas-SBKP, São José dos Campos-SBSJ ou Curitiba-SBCT, por exemplo) existe a possibilidade de utilizar ILS no treinamento IFR. Afinal, o desejo do DECEA é somente deixar para treinamento NDB/VOR os aeródromos com pequeno fluxo de aeronaves.

Portanto, acredito que para um treinamento inicial de PP ou para um repasse de manobras, o ideal é o aeródromo fora das TMAs. Mas para aquele piloto que deseja adquirir maior experiência com a fonia e o treinamento IFR, o ideal é voar em regiões dentro de terminais com grande fluxo de aeronaves, ou pousar em aeroportos movimentados.

Rodrigo Satoshi
Redes

Rodrigo Satoshi

Instrutor de Voo de Avião e professor de curso teórico para Pilotos Privados e Pilotos Comerciais.
Rodrigo Satoshi
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  • Muito boa matéria Satoshi! Estou finalizando meu PP em SBMT e no começo ficava meio perdido com tanto tráfego na mesma frequência e falando com o controlador. Agora estou bem mais ágil neste sentido e me sinto confortável para voar para qualquer outro aeródromo mais congestionado! Mas por outro lado, meu aprendizado foi realmente mais demorado do que se eu estivesse voando em um aeródromo com pouco movimento! Optei por voar no Campo de Marte, primeiro pela distância da minha residência (15min), segundo por estar em um aeródromo com muito movimento e que me traria os benefícios citados na matéria acima e terceiro, pois, mesmo que meu aprendizado seja mais extenso, essas horas excedidas poderão ser utilizadas para somar horas para o PC!