Bounced Landing: Quando o Pouso se Torna um Rodeio

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Uma das manobras de aprendizado mais difícil para o aluno piloto é o pouso. Não por acaso, essa costuma ser a última manobra a ser enfocada antes do voo solo, de acordo com a programação das principais escolas de aviação civil.

Um bom pouso se inicia muito antes da aeronave tocar a pista. No caso de aproximações visuais, por exemplo, o pouso começa ainda na perna do vento, no través da cabeceira em uso. Por isso, são muito comuns erros como aproximar-se muito rápido ou muito devagar, com altitude muito alta ou muito baixa, ou ainda, apresentar dificuldades em efetuar o enquadramento da pista, ao curvar da perna base para a perna final.

Dentre os erros mais comuns a serem cometidos nessa fase do voo, está um erro relacionado ao momento do toque sobre a pista: o Bounced Landing.


O que é o “Bounced Landing”?

Não há uma tradução exata para essa expressão em inglês. Considerando que “bounce” pode ser traduzido como “quicar”, o Bounced Landing pode ser entendido como um pouso em que a aeronave “quica” ao longo da pista, tal como uma bola. No Brasil, ele já foi traduzido como “Pouso de Toninha”, em alusão aos saltos feitos na água pelas toninhas ou golfinhos. A expressão parece não ter vingado, mas ainda assim, há um termo técnico para definir o Bounced Landing em português: “pouso com ressonância”.

O Bounced Landing geralmente ocorre quando a aeronave se aproxima muito rápida para pouso, ou com uma rampa de aproximação muito baixa, ou numa combinação das duas coisas. Ao invés de tocar o solo e permanecer nele, a aeronave atinge a pista com energia excessiva, sendo lançada novamente em voo, porém sem potência para permanecer voando. Isso pode levar a um novo toque ainda com mais energia, dando início a um perigoso círculo vicioso, que pode terminar com sérios danos à aeronave, ou mesmo aos seus ocupantes.

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Felizmente, há como recuperar-se de um Bounced Landing

Pode não ser exatamente uma tarefa fácil, principalmente se o piloto não mantiver a calma. Em muitos casos, orienta-se o piloto a puxar totalmente o manche, de forma que os profundores levantados, aliados ao motor sem potência, levem a aeronave a estolar por completo, encerrando o ciclo de toques com ressonância.

Há, porém, uma forma mais adequada de lidar com essa situação: simplesmente arremeter, não tentando “salvar” o pouso. Ao sentir a aeronave “quicar” na pista, simplesmente aplique potência, efetue uma aproximação perdida, e retorne para uma nova tentativa de pouso. Em alguns casos mais raros, caso haja uma boa sobra de pista, pode-se tentar um novo pouso à frente – o que não se recomenda para pilotos em formação ou menos experientes.

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=aDZgPAldofs]

Falar pode ser mais fácil do que fazer. Mesmo experientes pilotos comerciais podem enfrentar um Bounced Landing, ainda mais se estiverem em fase de adaptação a uma nova aeronave. No entanto, saber como reagir a essa situação é um conhecimento importante para qualquer piloto.

Luiz Cláudio Ribeirinho
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Luiz Cláudio Ribeirinho

Piloto Privado Teórico, host e editor do CP Cast, revisor, e vocalista da banda Rock Wheels.
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  • Anderson Cunha

    Importante esse tema, acidentes graves já ocorreram com pilotos muito experientes devido a esse tipo de pouso. Por exemplo o acidente com o MD11 da Fedex no Aeroporto de Narita (http://avherald.com/h?article=416e7619/0013&opt=0). Os investigadores concluíram que o piloto em comando (no caso o co-piloto) não tentou se recuperar do bounced landing por não ter percebido que havia “quicado” na pista, e ao empurrar o manche para baixar o nariz do avião, provocou a “capotagem” do mesmo.