Estou velho para começar a carreira de piloto?

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Essa é uma pergunta que muitas pessoas se fazem, principalmente em uma profissão que mexe muito com o imaginário das pessoas. Uma profissão em que, infelizmente, o custo da formação é alto, e nem todos têm condições financeiras para investir na formação de piloto aos 18 anos de idade. Muitas vezes as pessoas preferem seguir outra carreira, e depois acabam se arrependendo e querendo seguir a profissão do coração. E aí, quando percebem, já estão com 25, 30, 35 ou até com 40 anos. Nesse momento, vem aquela pergunta: será que estou velho para mudar de profissão? Será que terei sucesso na nova profissão? Vale a pena trocar este emprego atual por um sonho de criança?

Vou começar respondendo às duas últimas perguntas. Sempre tive em mente a seguinte frase de Confúcio: “Escolha um trabalho que você ame, e não terás que trabalhar um único dia em sua vida”. Sendo assim, acredito que o profissional que trabalha feliz, e com amor naquilo que faz, é um excelente profissional.

A carreira como piloto de avião – seja na aviação agrícola, executiva ou linha aérea – sofre oscilações. Existem momentos onde as empresas aéreas estão contratado muitos pilotos, e isso acaba movimentando o mercado da aviação executiva. Em outros momentos, quando a economia não está tão bem assim, temos o inverso: muitos pilotos sendo demitidos e muitos aviões sendo devolvidos, tanto na aviação executiva quanto nas companhias aéreas. Portanto, tenho em mente que a busca pelo sucesso virá independente da situação do mercado da aviação, que é cíclico.

Então, vale a pena persistir e ir atrás das oportunidades, não ficar triste e acomodado. O sucesso na nova profissão depende de você, da sua perseverança, da sua busca por um emprego. Na minha visão, nada “cai” do céu. O essencial é estar pronto para o mercado, seja no Brasil ou fora dele. É importante estar com as carteiras, ICAO e o exame médico sempre válidos, e manter-se estudando. As oportunidades com certeza virão.

Não vejo como correto abandonar ou deixar de lado o sonho de ser piloto, ou então, deixar como “plano B”. Não importa a idade: quanto mais você se afasta desse mundo, geralmente trabalhando com coisas totalmente fora da aviação, a possibilidade do voo se tornar um hobby é muito grande. E nesse momento, existirá aquela pessoa que lutou e vai conseguir o seu objetivo, e outro que queria ser piloto, mas acabou desistindo. Para este último, terá faltado um pouco mais de persistência. Esta pessoa também conseguirá voar, mas terá o voo como um hobby, provavelmente ficando muito frustrada quando encontrar alguém que acreditou, lutou até o fim e conseguiu um trabalho como piloto.

Acredito que é possível conciliar o emprego atual com a busca por uma oportunidade como piloto de avião. Até porque, quando se tem mais idade, existem mais despesas com relação a casa e filhos, por exemplo. Por este motivo, tenho em mente que essa transição tem que ser feita aos poucos, mas sempre com o foco de busca à realização do sonho. Afinal, todo homem tem um sonho, e tenho certeza de que a realização desse sonho vai lhe ajudar a ser uma pessoa mais feliz.

Por tudo isso, no meu ponto de vista, não existe idade para entrar na aviação, até porque não existe só a aviação comercial como foco para o trabalho. Há a possibilidade de se trabalhar como instrutor de voo, na aviação agrícola, e também na aviação executiva. Muitos sonham com o ingresso em uma companhia aérea, porque para a maioria das pessoas, esse sonho de ser piloto de avião nasceu vendo os aviões de grande porte, nos aeroportos. Mas como mencionei, muitos caminhos podem ser escolhidos, onde a faixa etária não será problema. O importante é persistir, lutar e acreditar no seu sonho.

Rodrigo Satoshi
Redes

Rodrigo Satoshi

Instrutor de Voo de Avião e professor de curso teórico para Pilotos Privados e Pilotos Comerciais.
Rodrigo Satoshi
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  • Enderson Rafael

    Eu demorei demais a conseguir conciliar tempo e dinheiro. Só tirei meu PP aos 32. Todos os meus colegas eram 5, 10, 13 anos mais novos que eu. Mas hj sou realizado voando. Nao me imagino fazendo outra coisa. Poderia ter dado errado? Poderia. E muito. Mas não ter tentado seria um erro ainda maior.

    • Ramom Félix

      A falta de informação/dinheiro me fez pensar que eu estava velho aos 25 anos, mas lendo esses tipos de artigos e tbm os comentários de pessoas na mesma situação que eu ou parecida me faz entender que não é uma coisa impossível. Em breve serei mais um “Pilossário”!!!

  • Milton

    Estou indo para os 50 anos, com PCH e INVH checados, e na condição atual de mercado, especialmente nas rotativas, sem perspectiva nenhuma. Também tem a questão salarial. Hoje trabalho como engenheiro, tenho projetos de empresa própria para o futuro, no fim acredito que serei mais um piloto hobbysta. Vou manter o CMA e os estudos em dia, mas o mais provável é que faça apenas uns freelancers na aviação.

    Abraço!

    • Jonathan Alves

      De que cidade vc é, e quantas horas de vôo vc tem?

      • Milton

        Sou de São Paulo, com 115 horas… recém formado kkkk…

  • Alan Senra

    Excelente conclusão. No meu caso, já tenho minha estabilidade profissional e não seria prudente trocar de profissão. Contudo, a paixão por aviação nunca acaba. Então, o ideal é achar o caminho de ingresso no mercado da aviação mais adequado a sua situação. Eu, pretendo ser instrutor após a minha aposentadoria, pois me aposento relativamente cedo.

  • Ana Paula Cardoso

    Que ótimo texto! Aos 34 anos, ingresso como Inva em uma escola no Sul do Brasil. Me sinto super feliz e motivada como se tivesse meus 20 e poucos anos…
    Abraço aos aviadores de coração.

  • Rogério Duran Alves

    Gente, neste exato momento, 12:29:47h, 24-08, aos 44 anos, decidi, após ler este texto, retomar o curso teórico para PP, o qual tive que abandonar em 2016 após meu pai sofrer um AVC.
    Que Deus me ajude, e ajude todos nós, aviadores e futuros(as) aviadores(as)!
    Rodrigo-san, domo arigato gosai masu!