História das Companhias Aéreas – Capítulo 35

posted in: Artigos | 0

Capítulo 35

No ano de 1924, os empresários da companhia alemã Deutsche Aero Lloyd tinham planos de expandir suas operações comerciais além dos limites europeus. Para isso, estabeleceram o objetivo de chegar à América do Sul, oferecendo vendas de aeronaves e peças alemãs, além de serviços de manutenção. A escolha, no entanto, não foi feita por acaso: em território sul-americano, os empresários da Deutsche Aero Lloyd já possuíam compatriotas, que anos antes haviam fundado a Sociedad Colombo-Alemana de Transporte Aéreo (SCADTA), na Colômbia. Estes últimos, por sua vez, pretendiam expandir suas operações para a América Central e Estados Unidos.

Os planos começaram a tomar forma com a aquisição de dois grandes hidroplanos Dornier Do J, que foram enviados por navio a Montevidéu, e de lá voaram para Buenos Aires. Com um substancial apoio financeiro da Deutsche Luft Hansa, iniciou-se o planejamento de uma missão promocional que atravessaria o sul do Brasil em direção ao Rio de Janeiro, provando ser possível a exploração comercial de rotas aéreas na região. Nascia assim a Condor Syndicat, uma empresa alemã que, até então, mal poderia imaginar que daria início a toda a história da aviação comercial brasileira.

Em 17 de Novembro de 1926, um dos Dornier Do J, nomeado de “Atlântico”, decolou de Buenos Aires com destino a Porto Alegre, passando por Montevidéu. De lá, partiu para o Rio de Janeiro, onde chegou 10 dias depois do início de toda a jornada. Logo no dia 1º de janeiro do ano seguinte, a missão iniciaria sua viagem de volta, levando jornalistas, um ministro e um cineasta com destino a Florianópolis. Seria o suficiente para convencer as autoridades brasileiras a concederem uma licença de operações à Condor Syndicat, válida por um ano, permitindo-lhe oferecer seus serviços aéreos em nosso território.

Estabelecendo uma base de operações em Porto Alegre, a primeira rota teria como destino a cidade do Rio de Janeiro, com escalas em Florianópolis, São Francisco do Sul, Paranaguá e Santos. A segunda rumaria a Rio Grande, passando por Pelotas. A terceira voaria para Santa Vitória do Palmar, na fronteira com o Uruguai, podendo estender-se a Montevidéu mediante autorização das autoridades uruguaias. O “Atlântico”, que ainda possuía a matrícula alemã D-1012, receberia a primeira matrícula de aeronave emitida pelo Brasil: P-BAAA.

Enquanto os negócios em território brasileiro alçavam voos em céus de brigadeiro, chegava à Alemanha a tendência pelas fusões, visando criar fortes companhias nacionais. A Condor Syndicat foi chamada a participar de uma fusão desse gênero, em nome de uma grande companhia nacional alemã, deixando portanto de existir oficialmente em 1927. Porém, devido ao sucesso dos atuais negócios e ao interesse da Luft Hansa no mercado sul-americano, a companhia aqui estabelecida prosseguiu com registro brasileiro, assumindo o nome em português que já havia recebido informalmente: “Syndicato Condor”.

O Syndicato Condor herdou as rotas ligando Porto Alegre a Rio Grande, e também o hidroplano “Atlântico”. As rotas se estenderam ao Rio de Janeiro, Recife, Montevidéu e Buenos Aires. Anos depois, o Syndicato Condor seria rebatizado como Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, e posteriormente, uniria forças com outra companhia brasileira. Nascida no Rio Grande do Sul, a Viação Aérea Rio-Grandense, ou VARIG, viria juntar-se à Cruzeiro do Sul na construção de uma história de pioneirismo e sucessos, da qual muitos brasileiros viriam a se orgulhar por gerações.

Luiz Cláudio Ribeirinho
Redes
Latest posts by Luiz Cláudio Ribeirinho (see all)